segunda-feira, 3 de abril de 2017

CARTA ABERTA AO PRESIDENTE DA REPÚBLICA




Marcelo Rebelo de Sousa








PRESIDENTE  DA  REPÚBLICA  DE  PORTUGAL

Professor Doutor Marcelo Rebelo de Sousa


Excelência, Caríssimo Amigo,

Debruça-se esta minha carta que decidi, depois de muito refletir e do que sois testemunha, tornar aberta, sobre a etiqueta ou falta dela nesta decisão que, por fim, tomei.
O meu Amigo não tem, aliás, deixado, expressamente, de me incentivar pelo que, por maioria de razão, deste modo e finalmente, decidi agir, escrevendo publicamente o que aqui Lhe deixo.
Quebra de etiqueta ou não?

Faz, agora, vinte e oito anos que pela primeira vez e abertamente, me dirigi em cartas, as minhas Cartas Credenciais, ao Presidente Mário Soares, tendes delas conhecimento, desencadeando uma Obra que não para de crescer e, entretanto, Vós sois, apenas, mais um dos já sucessivos inquilinos do Palácio Rosa ou de Belém.
Neste último ano escrevi-Lhe quase exclusivamente a Si deixando em stand by as minhas plataformas mas que agora, de há uns dias a esta parte, recuperam o seu fôlego como se dizendo que não, não estou em crise de criatividade.
Como escrevi na página anterior do meu blogue, tudo o que nele publiquei, como alvo não deixa de ter como seus destinatários últimos, as mais altas instâncias do poder democrático ou que nele se filiam.
O meu Amigo, repito e, convenhamos, de há muitos anos e não apenas de quando assumiu o Cargo que o sabe.
As mais altas instâncias podê-las-iam ser o meu Amigo, entretanto eleito ou outro qualquer Chefe de Estado mas o certo é que é nesta língua que em plenitude me entendo e do ponto de vista protocolar, todos os chefes de estado têm igual presunção ou tratamento e o meu Presidente da República, o meu Amigo é, por isso, o topo do poder tanto mais quanto democrático e isto, independentemente do país ou do Estado que representa.

Como já o escrevi, ao longo deste último ano, o Professor não deixou, amiúde, expressamente e por feedback de me incentivar, incentivos que, reputo, reconhecidos e elogiosos, elogiosos e de que maneira, pelo que o corolário lógico de tudo o que, privadamente, Lhe enviei ao longo deste último ano e que redundou já numa infinidade de mensagens Suas, só poderia ter este desfecho.
Falta de etiqueta seria tornar públicos todos os Seus expressos quanto privados incentivos, coisa que nunca o faria mas aqui estou, agora sim, publicamente e independentemente do número daqueles que me leem ou gostam do que escrevo, não é isso que tira ou acrescenta qualidade ao que se escreve, a apelar à Sua intercessão se me é permitido, muito prosaicamente, utilizar esta expressão.
Sei do valor do que escrevo e tanto mais quanto nos tempos conturbados que vivemos em que a Democracia oscila entre ser mais ou ser menos se é que tal se poderá dizer.
A Democracia só pode ser mais e nisso e para tal, o meu contributo não é, penso, negligenciável.

Aqui estou, pois, aguardando polida quanto pacientemente por qualquer gesto que da Sua parte venha a ser dado em meu, em favor do aprofundamento democrático e da saúde da Democracia aos quais nos idos de oitenta e nove Mário Soares, Seu antecessor apelou e a que, logo na altura e ainda que pecando de imaturidade, me levou a responder-Lhe com prontidão.
Não porque seja um iluminado mas, antes sim, porque não paro, incansável, de me alumiar.


Presidente Marcelo Rebelo de Sousa,

Escrever nesta ou numa outra plataforma qualquer é absolutamente secundário, o que interessa mesmo são os conteúdos do que se escreva e esses, os meus, se não visam melindrar também não colocam ninguém em cheque senão, eventualmente, a minha pessoa.
Ao tempo das Cartas Credenciais que lastro, no entanto, carregava eu comigo mas agora, podeis bem aferi-lo e, não menos, das intenções que numa inamovível e inabalável atitude, prova maior, me faz perseverar e que com toda a persistência me move.
Lastro, mas que lastro!
Até em nome da contenção dos populismos, direi:

a força de um texto quanto mais de uma miríade incontável deles, não se mede pela quantidade de gostos ou de votos que os subscrevam mas por aquela da sua arquitetura interior dada ao contraditório e essa é, talvez, a suprema conclusão que à Democracia lhe falta, em si mesma, retirar

Quanto à popularidade, se não for dirigida a todos e a cada um de nós e tanto mais quanto por feitos e obras o mereça sem consequências ou ilações que daí se presumam, grande poderá sê-la mas universal é que a não é ou será.
Assim e resiliente, preparo-me para uma nova pausa que não corresponde, friso uma vez mais, a qualquer crise identitária e que me levará até onde ou a entender necessária.


esperar é bem saber que para chegar
ao topo há que seguir o som do mar
escalá-lo e só se aos meios se os olhar
como as ondas num abraço que é amar



Congruente comigo mesmo, Vosso e sempre












Jaime Latino Ferreira
Estoril, 3 de Abril de 2017




terça-feira, 14 de março de 2017

DO QUE E PARA QUEM ESCREVO




Dyakonov Yuriy, Dialogue With A Bird








tudo aquilo que escrevo e que publico, se tem o meu indiferenciado leitor como destinatário tem, não menos e como destinatário último o poder democrático na ou nas suas mais altas instâncias representativas

o poder democrático que enquanto poder soberano nem sempre  estão em sintonia

sua fonte e inspiração, o singular é o suserano remetente bem como o destinatário do poder democrático e este, nele enquanto seu soberano dos soberanos se justifica e a ele se destina

quer sejam o poder democrático ao seu mais alto nível ou o meu indiferenciado leitor, meus remetentes e proeminentes destinatários, em qualquer caso, és sempre tu o meu privilegiado interlocutor e é, precisamente, quando suserania e soberania convergem e se tocam que ambas se legitimam e justificam plenamente







nesta minha língua à pergunta com este reforço remato e sublinho








Jaime Latino Ferreira
Estoril, 14 de Março de 2017




sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

DA MINHA PÁTRIA










A minha pátria, a língua em que me exprimo, é universal.
Ela também é imaterial.
Ela como todas as outras línguas.
Sendo ambas as coisas, as línguas são pertença de todos.
Pertença sem o ser pois da minha como de todas as outras línguas, ninguém é proprietário.
Plástica como o é, a minha língua transfigura-se em todas as outras línguas como todas elas se transfiguram na minha.
Como todas as outras línguas, aquela em que me exprimo de todas as outras é feita e secundada.
Nem a minha, nem todas as outras conhecem fronteiras.
Mesmo se na minha língua me zango, a zanga como a declaração de amor são ambas expressões do afeto, o oposto da indiferença, portanto, nela e através dela como delas, há sempre espaço para a resolução de mal entendidos, de conflitos também.
Assim se os queiram ver e resolver sem que qualquer das partes ou línguas carreguem o ónus do desentendimento.
A minha língua é um veículo da Paz.
A minha como todas as outras línguas o são.
A minha língua mais do que tolerar, integra as outras como todas as outras línguas integram a minha.
Umas nas outras, as línguas moldam-se umas às outras.
A minha língua é um magma e, tal como a música, um bálsamo.
A música nem de tradução carece e se a minha língua a ela a não dispensa, no que dela bem se traduza, se vivifica.
Plasma vivo como todas as outras línguas o são, são elas que nos dão vida, razão de vida.
E se são as línguas que nos dão vida, elas não no-la podem retirar.
São as línguas que em nós fazem toda a diferença e é essa mesma diferença que a todos nos enriquece.
Enriquece e, logo, enobrece.
A minha língua é a minha pátria.
Ámen.






na certeza de que a palavra é a imagem das imagens remeto, de novo, para Pergunta & Resposta ou para a equidade sem a qual, na plena aceção, não existe Liberdade








Jaime Latino Ferreira
Estoril, 20 de Janeiro de 2017